Superar uma separação

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Acabaram de te deixar. Ou foste tu que saíste e agora duvidas. Sentes-te estranha dentro da tua própria vida. É normal: uma separação pode ser um dos lutos mais pesados que uma pessoa atravessa.

Recuperar costuma levar vários meses, e o caminho não é recto: há recaídas, e também essas são normais. Aqui tens dez passos, sem alegria forçada.

Passo 1 (semanas 1–2): a sério sem contacto

Pelo menos três semanas sem nenhum contacto. Bloqueia o número e as contas. Guarda os objectos que te espetam nos olhos. Não respondas se ele escrever. Pede aos amigos comuns que não pronunciem esse nome durante este tempo.

A razão: cada contacto reabre a ferida. Uma coisa que se está sempre a mexer não fecha. Cortar o contacto não é crueldade, é uma ligadura.

O erro clássico: «fiquemos amigos» de imediato. Muitas vezes é uma forma de prolongar o sofrimento. Se um dia houver amizade, chega seis meses a um ano depois.

Passo 2 (semanas 1–3): chorar, gritar, escrever

Dá-te permissão para desabar. Nada de «tenho de ser forte». A negação só alonga o caminho.

O que funciona: chorar quando vem; gritar contra uma almofada ou ao ar livre; escrever uma carta que nunca vais enviar — o que liberta é escrevê-la, não enviá-la; dez minutos de diário todas as noites.

O mais duro costuma ser a primeira e a segunda semana. Se nesse momento estás em pedaços, não quer dizer que tenhas uma depressão.

Passo 3 (semanas 2–4): põe de lado os anestésicos

Álcool, tabaco, deslizar o ecrã sem pensar, aplicações de encontros em pânico, açúcar, compras — todos anestesiam por pouco e alongam o luto.

Nas três primeiras semanas, limita muito o álcool e o deslizar passivo nas redes. Em troca: água, mais de oito horas de sono, comida simples.

Passo 4 (semanas 2–6): mexer-se todos os dias

O único remédio natural comprovado: meia hora de actividade física por dia. Não é preciso ginásio, uma caminhada rápida ao ar livre basta. De manhã ou ao meio-dia, não de noite.

Ao fim de duas semanas costuma notar-se: melhor sono, menos quedas, energia a voltar. Se desta lista fizeres uma só coisa, faz esta.

Passo 5 (semanas 3–6): recupera três coisas tuas

Escreve três actividades que amavas antes da relação e deixaste. Volta a uma delas pelo menos duas vezes por semana.

Voltar a ligar-te a ti antes de te ligares a outra pessoa é o ponto-chave de todo o luto.

Passo 6 (semanas 3–8): reorganiza o teu espaço

Os lugares mexem com o humor mais do que se pensa. Muda o sofá e a cama, guarda as coisas dele, pinta uma parede, compra uma planta, troca o que está pregado no frigorífico. Custo pequeno, efeito grande.

Passo 7 (semanas 4–12): a prova do tema neutro

A partir do primeiro mês, mede quanto consegues falar com uma amiga sem mencionar o teu ex. Primeiro mês: alguns minutos. Segundo mês: meia hora. Terceiro mês: uma noite inteira — e esse é o sinal de que as coisas melhoram.

Se ao fim de quatro ou cinco meses ainda não passas dos dez minutos, marca com um psicólogo. É útil, não é vergonha.

Passo 8 (semanas 6–16): volta ao teu próprio corpo

Numa relação o corpo torna-se muitas vezes algo que se tem em comum. Recupera-o. Prazer regular sem culpa, uma massagem, um banho longo uma vez por semana, folga em casa tua.

E nenhum novo parceiro sexual antes de estares bem sozinha contigo — senão é distracção, não é cura.

Passo 9 (meses 3–6): aplicações de encontros, atenção ao momento

Não antes de dois ou três meses. Demasiado cedo significa: procurar o teu ex noutra pessoa, dar match com gente que não te serve de modo algum, ferir alguém usado como remendo, e no fim estar farta da própria ideia de sair.

O bom momento parece-se com isto: começa por uma semana só a observar, limita-te a duas ou três conversas ao mesmo tempo no início, e não corras para o primeiro encontro.

Mais em como escrever uma bio que traz matches e primeiro encontro: doze conselhos concretos.

Passo 10 (meses 4–9): a confirmação verdadeira

Sabes que saíste de verdade quando: consegues cruzar-te com o teu ex sem terramoto; planeias algo sem o reflexo de verificar se ele gostaria; dormes normalmente; ris sem culpa; e realmente já não segues as contas dele.

A armadilha de te apaixonares demasiado depressa

Três meses depois da separação pode chegar uma paixão violenta. Muitas vezes é distracção, não sentimento: o cérebro trabalha com força para tapar o vazio.

Uma prova simples: se dentro de dois meses pensares «o que é que me deu?», era distracção. O sentimento verdadeiro é mais calmo e não exige pressa.

Quando procurar ajuda

De imediato, se aparecerem pensamentos de acabar com a tua vida: liga para o número de emergência do teu país ou para a linha nacional de crise em saúde mental. Isto é urgente, e essas linhas existem precisamente para serem chamadas.

Marcar com um profissional também é o certo se durante quatro semanas não consegues comer nem dormir, se voltam as crises de ansiedade, se persiste um sentimento de não valer nada, se não consegues trabalhar, ou se ao fim de cinco meses nada melhorou.

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