Como fazer novos amigos
Queres alargar o teu círculo de amigos, encontrar pessoas com quem rir, partilhar bons momentos e com quem contar a sério? E abordar desconhecidos ou criar laços verdadeiros parece-te complicado? Não estás aqui por acaso.
O isolamento ganha terreno em muitos adultos, e quase sempre sem nenhum acontecimento que o desencadeie: os dias enchem-se, os laços desfazem-se sem ruído, e um dia dás-te conta de que não tens ninguém para telefonar num domingo.
É hora de te rodeares de gente com quem te sintas no teu lugar. A Mad2Moi está aqui para te ajudar a criar amizades verdadeiras e duradouras.
Porque importa agir agora
- Estar rodeada de amigos atentos ajuda a atravessar as provas da vida.
- Os amigos positivos reforçam o teu ânimo, cuidam da tua saúde mental e tornam melhores os bons momentos.
- Um círculo sólido segura-te nos períodos difíceis e empurra-te para a frente.
O problema?
Em adulta, fazer novos amigos é mais difícil:
- Menos tempo por causa do trabalho e da família
- Amizades passadas que se apagaram
- Menos ocasiões de encontro espontâneo do que na infância
Resultado: adias a acção… e o isolamento continua.
A solução
Neste artigo mostro-te passo a passo como voltar a criar laço com facilidade e eficácia, em treze pontos: oito erros a evitar que sabotam as tuas novas amizades e cinco conselhos concretos para criar ligações autênticas.

Porque fazer novos amigos?
Porque os amigos são um dos pilares mais importantes de uma vida.
O que a investigação sobre o laço social mostra de mais sólido cabe em poucas palavras: quem se sente rodeado atravessa melhor os períodos difíceis, trata-se mais cedo e suporta melhor o stress. Nada de mágico nisso — alguém com quem falar, e alguém que repara quando algo não vai bem.
Para muitas pessoas, uma amizade profunda conta tanto como uma história de amor, às vezes mais.
Mesmo que já tenhas alguns amigos, conhecer gente nova de vez em quando faz bem. Trazem outras ideias e abrem-te a outras perspectivas. E a mudança estimula: quando conheces alguém ainda não sabes como te comportar, não há esquema estabelecido, e isso põe alguma emoção no dia-a-dia.
Erro 1: esperar pelo amigo perfeito

Fascina-me sempre ver as crianças a fazer amigos. A maneira delas é tão inocente que às vezes a invejo. Conheces aquela conversa:
— Olá, eu gosto de dinossauros, e tu?
— Sim, eu também. Viste que tenho um carro de Lego?
— Que bom. Queres ser meu amigo?
— Sim! Vamos, jogamos aos dinossauros e ao teu carro.
As crianças aproximam-se abertas e sem preconceito. Em adultos complica-se, porque perdemos a espontaneidade e apanhámos pelo caminho certas convicções.
Todos temos uma lista de critérios que alguém deve cumprir para querermos passar tempo com essa pessoa. E se não tomares cuidado, essa lista alonga-se com os anos, até te isolares simplesmente porque procuras pessoas perfeitas.
Conselho: para conhecer gente nova, começa por exercitar a abertura. Sê um pouco mais como uma criança: move-te pela vida com mais espontaneidade e curiosidade, e não esperes pelo amigo perfeito.
Erro 2: querer parecer impecável
Muita gente está obcecada com a imagem que dá. Provavelmente tens tendência a querer parecer exemplar para impressionar todos. É natural, mas põe-te uma pressão negativa e deixas de ser tu.
Fingir e representar um papel tem consequências muito más sobre o que os outros pensam de ti. Sê o mais natural possível e não te preocupes com o que pensam: atrairás gente nova com facilidade.
A vontade de fingir vem de um pensamento instalado na cabeça: «tenho de ser perfeita para fazer os amigos certos». Apaga-o, engana-te. Os amigos a sério chegam quando te mostras como és. Se finges, acabarás com amigos que só te amam com a máscara posta.
Recorda: querer parecer perfeita prejudica-te. Tira pressão e mostra-te.
Erro 3: fugir antes de dar o primeiro passo

Conheces aquelas pessoas que numa festa falam com todos e no fim da noite parecem conhecer todo o mundo? O que as separa das tímidas? Sobretudo uma coisa: não têm medo da recusa.
Costumam também ter melhores habilidades sociais, e isso vem de falarem muito mais com os outros. As habilidades sociais vêm de falar com muita gente, não o contrário.
Se queres fazer novos amigos, tens de vencer o medo do primeiro passo. Aceita o medo, mas não lhe dês o volante. Aproxima-te das pessoas: pouco a pouco o medo encolhe e a confiança cresce.
É quase uma lei: enquanto evitas os teus medos, crescem; no momento em que os olhas de frente, perdem força.
Conselho: não esperes que venham a ti, sê activa. Temas simples como o tempo ou uma notícia do dia servem perfeitamente para começar.
Erro 4: deixar as tuas relações secarem
Imagina que conheceste alguém ontem, entendem-se bem e queres aprofundar. Nesta fase há dois erros de base.
1. Não vás demasiado depressa
Antes de conhecer a sério essa pessoa, já a fizeste tua melhor amiga. É imprudente, e podes acabar numa relação que não te satisfaz ou que se torna um peso. E se aceleras, o outro pode reagir de forma estranha — e a desilusão levas tu, porque já tinhas investido muito.
2. Não sejas demasiado prudente
No início de uma amizade nova não sabes se agradas ao outro, e pode dar-te medo voltar a escrever. Se hesitas demasiado, deixas passar demasiado tempo. Com esse comportamento fechas o mundo e perdes relações bonitas.
Muitos adultos dizem não ter tempo nem vontade de agir — só para evitar uma possível recusa. Evita esses dois erros: não ponhas expectativas altas, mas faz o laço crescer. Senão farás muito poucos amigos novos — porque a maioria das pessoas é como tu, não ousa o primeiro passo e espera que o dês tu.
Então pega no telefone e propõe algo. Para facilitar, não hesites em mencionar um próximo encontro no fim do primeiro.
As actividades de grupo funcionam particularmente bem. Porque não organizar tu um churrasco? Ou uma noite de jogos? Ou uma saída de bicicleta? Podes abrir um grupo de mensagens e convidar quem possa ter interesse. E mesmo que na primeira vez só uma pessoa apareça, pode ser bom. Se o fizeres com regularidade, com o tempo juntam-se mais, e os conhecidos podem tornar-se bons amigos.
Recorda: as amizades precisam de tempo para crescer. Não forces o destino, deixa as coisas vir. Dito isto, pega no telefone.
Erro 5: desconfiança excessiva

Ao longo da vida viveste muitas experiências, e não todas foram boas. Algumas fizeram-te mal, e essas experiências moldam a maneira como te aproximas dos outros. Por exemplo, tornam-te desconfiada.
Temes ser enganada ou aproveitada. Por isso procuras nos outros sinais que provem que te querem fazer mal. Fixas-te nesses sinais e vês maldade onde não há. Resultado: tens a sensação de reviver uma má experiência, e a desconfiança cresce ainda mais.
O que se pode fazer? Confiar. Isso não quer dizer confiar às cegas, nem te livra de más experiências. Mas quando dás a tua confiança, dás-te a possibilidade de fazer amigos a sério. A confiança é o chão de qualquer relação honesta.
Conselho: vence o medo e dá uma oportunidade às pessoas. Senão o teu cepticismo afastará todos. Concede uma confiança sã desde o início.
Erro 6: demasiado ego
Quando conheces alguém, essa pessoa interessa-te a sério? Ou queres fazer amigos para te sentires melhor e ter com quem falar?

A pergunta conta. Porque se só te interessas por ti, não és uma boa amiga. E se não és uma boa amiga, não te espantes de não fazer bons amigos.
Todos queremos alguém que se interesse por nós, que esteja disposto a acompanhar-nos, que escute quando é preciso. Procuramos amigos com quem nos sintamos compreendidos e importantes. Mas quando só te interessam os teus próprios desejos, sem pensar no outro, sais egocêntrica. E isso ninguém gosta.
Preferes falar a escutar? Vais-te embora e olhas pela janela assim que o outro fala? Tens tendência a levar tudo para ti e para os teus problemas? Então há trabalho: escutar com atenção e ocupar-te da outra pessoa.
Conselho: não te centres só em ti; pensa também em quem tens à frente.
Erro 7: não revelar nada de ti
Há pessoas com quem, mesmo depois de muito tempo, não te sentes completamente à vontade. Não sabes bem o que pensam, o que gostam, o que fazem. Para se protegerem, algumas precisam de manter a distância — e assim a relação não toma forma.
Porque essas relações nunca se desenvolvem? Porque essas pessoas não dizem nada de si.

Mesmo que tenham passado tempo juntos, não a conheces e não sabes o que a move. Por isso não se aproximam.
No ponto anterior falávamos da importância de escutar. É verdade, mas falar de si conta igualmente. Há que abrir-se, meter os amigos na própria vida para que possam conhecer-te. Só então uma amizade verdadeira pode formar-se.
A dificuldade: muita gente teme falar de si, porque a torna vulnerável. Quer relações profundas mas não quer abrir-se. E uma coisa não acontece sem a outra. Só quando contas a alguém coisas que significam de facto algo para ti começas a sentir-te próxima dessa pessoa.
Atenção ao contexto! Em grupo ou no trabalho, muitas vezes não é o lugar para temas muito pessoais. No trabalho é em geral melhor ficar no profissional, e em grupos grandes convém não avançar demasiado, para não prender toda a atenção. O pessoal funciona melhor a dois ou em pequenos grupos.
Erro 8: agarrar-se a amizades que não convêm

A vida é demasiado valiosa para ser passada com gente que te leva ao negativo. E ainda assim muita gente não ousa largar amizades tóxicas com o pretexto de temer ficar sozinha. Assim deixa-se arrastar e vive na frustração.
Claro que é preciso coragem para afastar da própria vida quem te faz mal. No início parece duro, mas esta frase parece-me justa:
Quem não se alegra quando te acontece algo bom e não te segura quando te acontece algo mau não tem lugar na tua vida.
Conselho: olha para as pessoas de que te rodeias e faz-te estas perguntas. Querem o melhor para mim? Querem que eu cresça e seja feliz? Se a resposta é sim, parabéns. Se é não, afasta-te.
Não faças drama nem distribuas culpas. Simplesmente deixa de dar a essas pessoas tanto espaço na agenda, e usa o tempo para outra coisa: para conhecer quem quer o melhor para ti. Quem floresce nas suas amizades sabe reconhecer as relações que fazem mal e deixá-las ir.
Os oito erros: conclusão
São erros que se cometem vezes sem conta. Podes reconhecer-te num, em vários ou mesmo em todos. Não é problema: com o tempo ajustarás a atitude. Vamos agora aos cinco conselhos.
Conselho 1: toma a iniciativa
Se raramente te cruzas com gente nova, tens de provocar tu as situações. Mesmo que passes muito tempo com a família ou tenhas um grupo fixo de colegas, as opções abundam: retomar um passatempo, ir a um encontro, inscrever-te numa formação. Em sítios assim é particularmente fácil falar, porque pelo facto de estarem ali já têm algo em comum.
Bons lugares para fazer novos amigos:
- Numa aula de línguas
- Num encontro ou numa jornada
- Numa viagem organizada
- Numa associação
- No trabalho
- Numa biblioteca
- Num concerto
- Num curso de formação
- Num bar
- Num clube desportivo
E recorda: a iniciativa conta. Se não dás o primeiro passo, podes esperar eternamente. Aproxima-te e abre um tema. Com algumas pessoas encaixarás melhor, com outras menos.
Conselho 2: abre-te e aproveita cada ocasião
Nenhuma conversa é inútil. Em qualquer conversa podes pôr algo que valha e melhorar o teu trato com as pessoas. Aproveita então cada oportunidade de falar. Sejam duas palavras com quem está na caixa do supermercado ou um convite para um café à tua vizinha: qualquer coisa pode ser o arranque de uma amizade.
Com as relações passa-se como com tudo o resto: quanto mais praticas, melhor te sai.
Conselho 3: mostra interesse a sério

Não se trata de fingir interesse. Fingir é uma má estratégia quando procuras amigos a sério.
Este conselho é também para quem se interessa pelos outros mas não consegue mostrá-lo. Não é uma fatalidade: simplesmente ninguém lhe ensinou. Então desvia o olhar, não transmite empatia e dá a impressão de estar aborrecida. Resultado: a conversa não corre e ambas respiram quando acaba.
A ferramenta é a escuta activa. A única coisa a fazer: pôr de lado por um momento os pensamentos do dia e levar toda a atenção para a conversa. Passo a passo:
1. Olha para a outra pessoa
Concentra-te em quem tens à frente e olha-o nos olhos. Tenta segurar o olhar um pouco mais do que é confortável; é bom treino. E não te esqueças de pestanejar.
2. Sinais de compreensão
Se segues o que te contam, di-lo activamente: acena, diz «sim», «mm» ou algo parecido.
3. Pedidos de esclarecimento
Se algo não está claro, pede que te esclareçam ou di-lo pelas tuas palavras para verificar que entendeste.
4. Perguntas de seguimento
Se algo fica em aberto ou te interessa, pergunta: «e depois o que aconteceu?», «como reagiu?».
A escuta activa é assim simples. Experimenta e verás o efeito: as pessoas contam-te coisas muito pessoais e fascinantes quando sentem que escutas com interesse verdadeiro.
Conselho 4: sê leal e de confiança
Segura os teus amigos e aceita-os. Mesmo que não estejas sempre de acordo, têm de sentir que respeitas a opinião deles. Comportam-se segundo o temperamento e a história — todos o fazemos.
Tens também de tomar o tempo de propósito para não perder de vista os amigos que te importam. Mesmo que tenhas alguns meses cheios, escreve várias vezes. Não cortes o fio.
E por fim, dá uma mão quando estão em crise. Aí é preciso saber dar um passo atrás e escutar, sem querer dar conselhos bem-intencionados de imediato. A tua atenção e o teu apoio já dão força.
Conselho: perdoa os teus amigos, também as falhas pequenas. Às vezes comporta-se alguém mal no momento sem querer. E ninguém é perfeito, tu também não.
Conselho 5: gratidão e reconhecimento
Nunca expressar reconhecimento aos teus amigos é má estratégia. Mostra-lhes que te importam e que agradeces o tempo que passam juntos.
Pensa em como sabe bem receber um elogio. O reconhecimento sincero reforça uma amizade, e a gratidão tem efeito: se deixas de dar por garantido o que está bem e o dizes em voz alta, muita coisa muda. Mesmo uma mensagem curta de agradecimento faz os teus amigos sentirem-se importantes para ti.
O segredo das boas amizades
As amizades são todas diferentes. Não há um só amigo que cubra todas as tuas necessidades afectivas. Com uma pessoa gostarás de sair para comer, com outra de falar de trabalho, com outra da tua vida amorosa.
Três coisas, em troca, são indispensáveis em qualquer amizade:
- Escutar o outro. Os bons amigos não querem só falar entre si, interessam-se também pelo que o outro tem a dizer. Quando dás toda a tua atenção, chegas até a encorajar o outro a contar-se.
- Honestidade. A cortesia falsa e a hipocrisia não têm lugar entre amigos a sério. Não és sempre amável, mas és sempre honesta. É assim que se constrói a confiança.
- Aceitação mútua. É o chão da amizade. Os bons amigos não se julgam. Não há que criticar nem tentar mudar o outro — a não ser que o outro queira mudar, e então podes ajudá-lo.
Quem são os amigos certos para ti?
«És a média das cinco pessoas com quem passas mais tempo.»
O dito é duro, mas tem algo de verdade: nada te influencia mais do que a gente que te rodeia. Algumas pessoas dão-te força, seguram-te nos teus objectivos e encorajam-te. Outras puxam-te para baixo, duvidam de ti constantemente e não festejam o que te sai bem.
Escolher com quem passas o tempo é uma decisão grande e merece pensamento. Como reconhecer quem te convém:
- Gostas de passar tempo com essa pessoa
- Podem ter conversas que valem
- Não tens de medir cada palavra antes de a dizer
- Podem rir juntas
- Segura-te quando estás mal
- Acredita em ti e no que sabes fazer
- Vêem-se porque se querem ver, não por tédio
Fazer novos amigos: conclusão
Muita gente não tem amigos a sério, e as causas são muito diferentes: a uns as pessoas dão medo, outros mantêm sempre a distância, outros trabalham todo o dia e não têm tempo. Qualquer que seja o teu caso, há saída — e vale a pena, porque os amigos a sério enriquecem cada aspecto de uma vida.
A Mad2Moi pode ser o teu trampolim para conhecer gente nova: um lugar onde treinar a vencer inibições, entrar em contacto e construir laços verdadeiros.
Atira-te. Boa sorte e bom divertimento.
Ilustrações: Aura Mun
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